Com o acordo para deslocar os moradores das margens da BR-381, na saída para Santa Luzia e Sabará, previsto para ser assinado no dia 7 de novembro, conforme antecipado pela Itatiaia nesta segunda-feira (13), incerteza, insatisfação e desconhecimento pairam entre os que vivem na região.
Conforme moradores ouvidos pela reportagem, houve pouca informação repassada diretamente a eles, e não há consenso sobre o deslocamento para o bairro Capitão Eduardo, para onde estão previstos os reassentamentos.
No dia 7 de novembro, haverá assinatura de um acordo fechado entre a Prefeitura de Belo Horizonte, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Regional Federal (TRF) para que os moradores sejam realocados e deixem o local onde estão previstas obras de duplicação da “Rodovia da Morte”.
Em entrevista à Itatiaia, o ministro Antonio Anastasia, do TCU, anunciou a assinatura do acordo que pode colocar um ponto final no impasse sobre a obra no trecho mais complexo da BR-381.
A salgadeira Ivone, que mora há 35 anos na Vila da Luz, conta que ficou sabendo do local do reassentamento pela imprensa, e que não houve contato da prefeitura com os moradores. Questionada sobre a possibilidade de ser realocada para o bairro Capitão Eduardo, Ivone lamenta.
“Nossa, muito muito ruim. Eu estive lá no terreno que estão falando que você vai desapropriar e vai colocar os pessoal, entendeu? Lugar muito ruim, lugar muito ruim de acesso. Eu vi lá que a escola não vai comportar 2.000 famílias igual está ali falado”, diz.
Sobre a possibilidade de ir para o Capitão Eduardo, ela comenta que é preciso avaliar a disponibilidade de serviços da região. “Tem que ver realmente como funciona o bairro, se tem melhoria, se tem uma Caixa, lotérica, uma escola boa para esses meninos, porque a gente tem que ficar andando para lá e para cá”, pondera.
Maria Neusa, dona de casa de 66 anos, também informou não saber para onde será realocada. Questionada sobre o bairro posto na negociação, ela diz que “o importante é nos tirar daqui”. “Mas eu acho que eu não vou querer. É apartamento, no caso. E eu não vou para o apartamento. E o serviço aqui, como é que vai trabalhar, né? Tem que ser um lugar onde a gente mora e trabalha. Igual aqui”, afirma.

