JOÃO MONLEVADE REÚNE EDUCADORES PARA FORMAÇÃO E OFICINA ANTIRRACISTA EM PARCERIA COM A AMAD E A UFOP

JOÃO MONLEVADE REÚNE EDUCADORES PARA FORMAÇÃO E OFICINA ANTIRRACISTA EM PARCERIA COM A AMAD E A UFOP

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Iniciativa integrou a programação do Festival de Inverno da Ufop (FIU) 

A Associação Monlevadense de Afrodescendentes (Amad), com apoio da Secretaria Municipal de Educação de João Monlevade e em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), promoveu, nos dias 3 e 4 de agosto, a formação continuada e multilinguagem antirracista “Tudo que você podia ser”.

O encontro de abertura, realizado na noite de segunda-feira (3), no Centro Educacional de João Monlevade, integrou a programação do Festival de Inverno da Ufop (FIU), que neste ano trouxe o tema “O sol na cabeça”. A atividade reuniu educadores da rede municipal, além de gestores, coordenadores e autoridades locais, com o objetivo de fortalecer práticas pedagógicas voltadas para a diversidade, equidade racial e respeito aos direitos humanos.

A secretária municipal de Educação, Alda Fernandes, destacou que a iniciativa cumpre um papel fundamental no fortalecimento da rede. “Discutir as relações étnico-raciais não é apenas cumprir uma determinação legal, é assumir a responsabilidade de formar cidadãos conscientes. Que possamos sair dessa atividade ainda mais fortalecidos para transformar as nossas salas de aula em espaços de conhecimento, respeito, acolhimento e justiça”, declarou.

Durante a palestra, conduzida pela mestranda em Engenharia de Produção, terapeuta integrativa, servidora da Ufop e integrante ativa da Amad, Liziane Barcelos, os formadores Gláucio Santos (mestre em Educação e Coordenador Pedagógico do Cemei Padre Henriques) e Karina Caetano (doutoranda em Bioética, mestre em Educação e Comunicação em Periferias e professora) trouxeram reflexões baseadas em dados do IBGE e do Inep, a fim de demonstrar que a pauta antirracista não se trata de uma pauta minoritária. Além disso, os formadores também reforçaram a necessidade do letramento racial desde a primeira infância, da revisão do acervo literário escolar e da transição de um discurso individual e moral sobre o racismo para o entendimento do seu caráter estrutural e institucional.

Gláucio Santos alertou o público sobre a importância de rever materiais pedagógicos antigos que reforçam estereótipos e defendeu a importância das crianças negras construírem um pertencimento positivo em relação à própria imagem. “O racismo opera como uma tecnologia social no Brasil, presente no ato silencioso e no não dito. Ele não mais se esconde naqueles que buscam falar pelas vozes das pessoas que poderiam falar elas mesmas sobre o seu povo e suas vivências. Acredito que o caminho é começar o letramento racial lá no berçário, para que os bebês cresçam com acolhimento, com menos relações de preconceito e como protagonistas de suas aprendizagens”, destacou o educador.

O momento contou ainda com apresentações musicais e com a exibição do curta-metragem “Me Disseram que Sou Negra”, dirigido por Alexsandra Felipe (atriz, presidente da Amad e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), que não escondeu a satisfação ao ver o anfiteatro lotado de educadores. “Agradeço a cada pessoa que faz parte da Amad, que veste a camisa e contribui para uma sociedade menos racista em João Monlevade. Nossa associação nasceu da luta, da resistência e do sonho coletivo de construirmos uma sociedade mais justa. E quando um de nós avança, toda a Amad avança junto”, celebrou. “Quero dizer ainda que essa programação demonstra a potência intelectual, a capacidade técnica, a seriedade e o compromisso existentes dentro da nossa Associação”, completou Alexsandra.

Na terça-feira (4), a programação teve continuidade com uma oficina prática de stencil, realizada na Ufop, com condução de Karina Caetano. O encontro foi voltado para representantes das escolas municipais, que debateram metodologias ativas e a aplicação de protocolos institucionais em casos de discriminação. “É necessária uma postura ativa na mediação de conflitos raciais com base nos direitos humanos, em protocolos, projetos políticos pedagógicos e regimento interno. Temos que trabalhar a questão racial dentro da secretaria, da gestão, para não virar um problema só do professor, criando estratégias de permanência e reforço para os alunos”, enfatizou Karina.

Como produto final da imersão, um grupo de educadores produziram ecobags personalizadas com a técnica do stencil, estampando grafismos, símbolos e referências a personalidades do movimento negro. A atividade simbolizou o uso da arte e da cultura como ferramentas de valorização da memória, combate ao preconceito e construção do pertencimento no ambiente escolar.

A iniciativa foi promovida pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex/Ufop), pela Incubadora de Empreendimentos Sociais e Solidários (Incop), pelo Laboratório de Estudos em Manufatura, Operações e Processos (Lemop/Ufop) em parceria com a Amad, com apoio da Secretaria Municipal de Educação e do Compir.

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