Manifestantes protestam contra retomada da captação de água do Rio Doce (MG)

Manifestantes protestam contra retomada da captação de água do Rio Doce (MG)

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Empunhando cartazes com dizeres como “diga não à lama da Samarco”, “Copasa, não tomaremos veneno” e “tirem a lama do lago que aceitaremos a água”, manifestantes protestaram contra o fim do abastecimento emergencial de água nos municípios de Resplendor e Itueta, na região do Vale do Rio Doce mineiro.

Desde 2015, devido ao rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, que contaminou toda a bacia do Rio Doce, a distribuição de água era feita por caminhões-pipa, fornecidos pela empresa.

O protesto teve início no último domingo (1º), com a paralisação da circulação do trem de passageiros da Vale, uma das donas da Samarco, em Resplendor. Na cidade de Itueta, os manifestantes ocuparam a BR-259, que ficou parada por cerca de três horas. A revolta veio após os moradores terem sido informados, na sexta-feira (30), por um ofício da Samarco, que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) retomaria a captação de água do Rio Doce. A retomada aconteceria na segunda-feira (2).

As comunidades alegam falta de diálogo e preocupação com os riscos do consumo dessa água para a saúde dos moradores. A captação seria em um grande lago formado pela barragem da usina hidrelétrica de Aimorés, da Vale. O lago está no curso do Rio Doce e, como explica Isaac Pereira dos Santos, recebeu uma grande quantidade de rejeitos do rompimento de Mariana.

“A água do grande lago de Itueta e Resplendor faz parte do Rio Doce e está dentro da usina hidrelétrica da Vale. Portanto, lá estão depositados todos os rejeitos do rompimento trazidos no rio. Para se ter uma ideia, existe um assoreamento e onde eram dois metros de profundidade estão com 60 centímetros. E é exatamente onde eles estão querendo captar essa água”, conta o morador de Itueta.

Segundo Marília Vieira de Almeida, professora que atua na comissão de atingidos e coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), as manifestações foram pacíficas e tiveram acompanhamento e apoio do poder público e policial, sendo organizadas pelos atingidos.

“A denúncia nas duas cidades é a mesma. Estamos reivindicando segurança alimentar, pois nosso lago continua contaminado e não temos segurança em consumir essa água, mesmo depois de tratada. Somos contra a captação do Rio Doce porque os rejeitos ainda estão no fundo do lago”, explica.

Como apontam ambos os atingidos, é provado que os metais pesados que estão no rio não têm tratabilidade e, justamente por isso, as comunidades defendem a viabilidade da construção de uma nova fonte de captação no Rio Manhuaçu.

Dessa forma, a reivindicação é de que a Samarco continue captando água do Manhuaçu, como já fazia até aqui, para distribuição nos municípios. Santos reforça que, mesmo após as manifestações, os atingidos não foram procurados para esclarecimento ou abertura de diálogos e seguem sem respostas.

Para evitar o desabastecimento dos municípios, a Copasa deve iniciar a captação, tratamento e distribuição da água do Rio Doce, entre os dias 2 e 10 de fevereiro. De acordo com o ofício da Samarco, esse processo terá início após testes de tratabilidade e validações técnicas independentes, auditados pelo Comitê Estadual de Minas Gerais (CEMG), órgão que acompanha a execução do Novo Acordo do Rio Doce, indicarem a adequação da água para consumo.

Outro lado

Em resposta aos questionamentos do Brasil de Fato MG, a Samarco informou que foram realizados testes de tratabilidade na água do Rio Doce nos municípios e os resultados indicam que ela está dentro das especificações da legislação brasileira e pode ser consumida após o tratamento convencional realizado nas Estações de Tratamento de Água (ETAs).

A mineradora também afirma que os testes foram conduzidos por laboratórios devidamente acreditados por entidades reconhecidas nacionalmente e foram validadas pela empresa de auditoria independente que atende ao Comitê Estadual de Minas Gerais (CEMG), além de terem sido acompanhados por representantes das duas prefeituras, da comunidade e de assessorias técnicas.

Por sua vez, a Copasa informou que foi notificada pela Samarco no dia 30 de janeiro e, desde então, vem fazendo testes na captação do Rio Doce, tendo até 10 de fevereiro para iniciar a operação, assegurando que todo o volume captado passe por um minucioso processo de tratamento antes de chegar às residências. A empresa reforça ainda que a qualidade da água é prioridade absoluta.

“O abastecimento das cidades seguirá sob monitoramento permanente, com análises realizadas antes, durante e após o tratamento, em conformidade com todos os padrões do Ministério da Saúde. A Copasa passará a divulgar diariamente, em seu site oficial, os resultados das análises realizadas na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Resplendor e Itueta, que confirmam a potabilidade e a qualidade da água distribuída”, afirmou a Copasa.

Fonte: Brasil de fato

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